Uma opinião bem polêmica que eu tenho é acreditar que, apesar de vantagens “de nascença” serem possíveis, a dedicação e a qualidade da nossa dedicação tem um impacto muito maior no nosso desenvolvimento intelectual do que qualquer outro fato (dado que tenha oportunidade, é claro).
Ainda assim, eu havia acabado de sair do meu segundo semestre com 3 reprovações. Eu havia acabado de quebrar completamente a noção que eu estava no topo de inteligência pra galera da minha idade. Pra mim, esse foi o momento ideal de testar a minha teoria, mostrar mesmo eu tendo 3 reprovações no histórico eu conseguia sim brilhar muito, mesmo no meio acadêmico.
Começa o terceiro semestre e decidi pegar 11 matérias, que deram 38 créditos aula. Além das 8 matérias obrigatórias, eu escolhi pegar uma optativa e duas matérias que eu havia acabado de reprovar - Física II e Mecânica I.
Nesse semestre eu senti o efeito bola de neve com as reprovações na Poli. Por eu ter pego matérias que eu reprovei no semestre anterior, eu estava com uma carga horária bem maior do que se eu tivesse fazendo apenas as obrigatórias. Eu iria de 26 créditos de obrigatórias para 34 créditos apenas pegando as 2 reprovações, um aumento de 31%, coisa pra caralho.
A consequência mais óbvia é que com uma carga horária mais elevada, com mais provas pra fazer e mais matérias pra estudar, é maior ainda a chance de eu reprovar em qualquer uma das matérias. Pior: eu tenho mais matérias em que posso reprovar.
É por isso que tem tantas histórias de pessoas na Poli que reprovaram a mesma matéria 4 vezes ou até mais do que isso. A carga horária pra fazer as obrigatórias + as dps é bem absurda.
Durante o terceiro semestre eu me deparei com um padrão interessante nas minhas notas.
Teorema da Convergência para o 5.0 (TC5.0)
Parece que sempre que eu ia bem em uma matéria e tirava por exemplo um 7, eu tirava um 3 em outra matéria. Conforme eu colocava as minhas notas em uma planilha, comecei a reparar que a minha média ficava sempre em torno do mesmo número. Era como se o total de nota que eu conseguisse fosse uma constante que eu só distribuía entre as matérias.

Daí surgiu o Teorema da Convergência para o 5.0. Não importa o quanto eu estude, o quanto eu procrastine, o quanto eu tenha sorte ou tenha azar. Posso ter estudado o semestre inteiro, posso ter estudado só na véspera, posso não ter estudado. No final, a média das minhas médias tende ao mesmo valor: 5.0.
A descoberta desse teorema foi essencial para o próximo semestre. Se o meu objetivo era passar em todas as matérias, então não era pra eu me divertir nas matérias que eu curto e tentar passar no resto. O meu objetivo era matar esse amor por matérias específicas e ser pragmático. Eu não podia tirar mais do que 5 em nada, senão eu acabaria reprovando em outra matéria.
Resumo do terceiro semestre é que eu trancei Física II, porque vi que não ia dar, e reprovei Cálculo III mesmo com a recuperação. Das 11 matérias que escolhi eu passei em 8, totalizando 32 créditos.
Sim, eu ainda tive mais uma reprovação. Mas eu estava olhando o lado brilhante: eu consegui fazer uma carga horária elevada e reprovar em apenas uma matéria. Indiscutivelmente eu melhorei e o meu plano estava dando certo.
Era hora de aumentar o nível mais uma vez.

Continuação: Como passar em 12 matérias em um semestre