Primeiro dia na USP

Cachorro da FEA

No meu primeiro dia de USP, na semana de recepção, eu fui mordido por um daqueles cachorros que ficam perto da FEA.

No vestibular, entrei na Poli, mas desci do circular no ponto da FEA pra acompanhar um amigo. Logo no ponto de ônibus, um desse cachorros começou a latir pra mim. Levianamente, eu pensei:

“Ah, ele só quer atenção. Vou passar reto e ignorar”

Famosas últimas palavras. Ele veio pra cima de mim e mordeu a minha panturrilha. Eu consegui me mover bem na hora da mordida, então pegou de raspão - mas sangrou.

Falei sobre o ocorrido com um dos seguranças no estacionamento da Poli. Ele me disse:

“Fica tranquilo, esses cachorros são vacinados. Tem uma mulher da civil que cuida deles. Só vai no banheiro pra lavar com água e sabão, tudo certo”

Como um bom bixo perdido, eu fiquei aliviado e fiz o que ele me disse.


No dia seguinte…

7h30 da manhã de uma terça feira, já estou na Poli porque vai ter palestra.

Começo a passar muito mal. Dor, mal estar generalizado, cansaço.

Pesquiso no Google sobre o incidente - posso ter pego raiva depois da mordida. “Já ouvi falar, mas será que é tão ruim assim?”

Continuo pesquisando. Descubro que no mundo todo, menos de 10 pessoas sobreviveram depois de pegar raiva. Tem praticamente 100% de letalidade. Começo a me preocupar. Pensando no pior caso, eu tentava me consolar:

“Se eu morrer, pelo menos morri no pico da minha vida, depois de passar na USP”

Mando mensagens para os meus pais. Eu era menor de idade ainda, então tinha que ir acompanhado por um deles. Fizemos a conta, era mais rápido a gente se encontrar em uma estação do metrô e de lá irmos juntos até um hospital que costumávamos ir. Peguei um circular pra ir pro metrô, sabendo que poderia ser o último circular da minha vida.

Chegando no hospital, descobrimos que eu estava com apendicite.

Não tinha nada a ver com a mordida do cachorro.