Depois de um início caótico, começou a minha vida na Poli. Como 99% dos alunos, tomei um susto na P1 tirando notas muito menores do que eu esperava. Sabia que ia ser difícil, mas caraca, que diferença no nível de dificuldade. Diferença principalmente no nível de dedicação necessária pra ir bem nas matérias.
No ensino médio dava bem fácil pra estudar de última hora e ir super bem nas matérias. Até mesmo pro vestibular eu consegui estudar apenas no último ano e fazer porra nenhuma nos primeiros dois anos. Eu tive nota pra primeira chamada de todas as minhas opções no vestibular.
Na Poli obviamente que também dá pra fazer isso, mas a pressão e a dificuldade dão um salto muito maior em relação ao ensino médio. Tem que ter uma puta resiliência pra ficar estudando e estudando mesmo no desespero. Fora que as provas são todas numa semana de provas. Logo que você acaba de estudar uma matéria já tem que ir pra outra. É super normal até se planejar pra saber quais matérias vai aprender em quais dias antes da prova, e inclusive calcular friamente quais matérias você não vai estudar e largar de vez.
O começo
No primeiro semestre eu consegui passar sem reprovações com uma humilde média 6.4. Nada mal, principalmente pra quem foi mordido por um cachorro e teve apendicite na semana de recepção. O problema maior foi o segundo semestre.

Perdi completamente o foco. Muitas questões em mente. Esse lugar é pra mim? Melhor mudar de curso? Se sim, pra qual curso? Se não, qual é o plano estando aqui? Além disso, eu inventei de pegar Análise Real. Uma das possibilidades era cursar matemática, então fazia sentido eu tentar uma matéria mais no mundo da matemática e ver o que eu achava.
Puta que pariu que matéria difícil do caralho. Larguei depois da P1, e suspeito que o profs nem leu a minha prova porque eu escrevi mais de 7 páginas de respostas. Isso acabou piorando a questão sobre o que fazer no futuro, porque matemática era algo que eu considerava fortemente fazer.
Resumindo a história toda, peguei 3 recuperações (algelin2, física 2 e cálculo 2) e reprovei pesado em mecânica 1. Sabendo das minhas limitações mentais do momento, escolhi focar apenas em algelin 2 na recuperação pra passar. Foi uma das poucas boas decisões que eu fiz naquele semestre, consegui passar na recuperação pelo menos.

Todas essas reprovações foram bem fodas pra mim. Eu tive de reconhecer, como muita gente da Poli, que eu não era tão bom quanto eu imaginava. Que aquela imagem do aluno inteligente, que ajuda todo mundo, que tem facilidade com qualquer coisa, se quebrou em mil pedaços. Tive de reconhecer que eu tinha uma limitação no quão bom eu conseguia ser naquele momento e que isso era uma barreira pra mim.
Consequências
Outro ponto bem ruim foi sentir que várias portas se fecharam pra mim por causa das reprovações. Bolsa FAPESP? Esquece. Ser julgado pelos profs ao pedir IC e eles descobrirem que eu tenho reprovação? Bem possível. Duplo diploma, com reprovação e média baixa? Ha, só em sonho.
E como cereja do bolo de merda, eu não tinha me inscrito pra Fuvest nem ENEM. Se eu quisesse entrar na Poli de novo pra limpar a minha média (rebixar), teria que perder mais um ano. Eu literalmente gastaria 2 anos da minha vida pra resetar o meu histórico escolar. Parecia que todas as opções eram uma merda naquele momento e que tinha de escolher a menos pior.
Depois de muito pensar, tomei a decisão de seguir o curso. Eu tinha 3 motivos, que eram bem desconexos mas muito relevantes.
Perder 2 anos da vida pra entrar no mesmo curso, na mesma faculdade, não faz sentido.
2 anos é a duração de um mestrado. Ou seja, se eu entrasse de novo na Poli e terminasse a graduação, eu teria no total 7 anos de Poli. Porém, em 7 anos daria pra eu simplesmente terminar a graduação com reprovações e terminar também um mestrado. Valeria a pena mais a pena sair da graduação com uma média boa do que ter um mestrado? Nem fodendo.
Um duplo diploma ainda era possível.
A CRInt tem divulgado cada vez mais sobre as possibilidades do duplo diploma e como a galera com média baixíssima e reprovações conseguem também pegar um duplo diploma.
Não seria fácil, até porque são motivos a mais para não passar no processo seletivo. Mas com certeza seria possível. Um sonho, mas possível.
Um botão de reset é poderoso demais pra eu ter o luxo de usar.
Ao entrar de novo na Poli e fazer tudo de novo, eu estaria literalmente apertando um botão de reset na minha graduação. Mas eu via um valor muito grande e importante em fazer merda, reconhecer e melhorar. Não dá pra desfazer os erros na vida, por isso achei errado eu tentar desfazer esse meu “erro” de pegar reprovações. Achei errado eu usar algo tão poderoso.
Com isso em mente, eu decidi seguir a graduação. E caralho, que decisão excelente que eu tomei.
Continuação: Teorema da Convergência para o 5.0